fevereiro 08, 2007

Aborto a pedido, não!


1. Nós, portuguesas e portugueses, somos chamados a responder, no referendo de 11 de Fevereiro de 2007, a esta pergunta: “Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?” ( ).
É importante que todos votemos não!

A lei vigente e a pergunta
2. A lei vigente ( ) – resultante de alterações introduzidas em 1984 e 1997 – prevê o crime de aborto como punível com prisão ( ), mas já despenaliza (declara não punível):
a) O aborto terapêutico (para remover ou evitar perigo de morte ou de grave lesão para a saúde física ou psíquica da mulher – sem prazo, se for o único meio de remover esses perigo);
b) O aborto eugénico (nos casos de inviabilidade do feto, a todo o tempo, e nos casos incuráveis de doença grave ou malformação congénita do nascituro, nas primeiras 24 semanas de gravidez);
c) O aborto no caso de violação, nas primeiras 16 semanas ( ).
3. O diploma aprovado, na generalidade ( ), pela Assembleia da República, que está na base deste referendo (como em 1998), visa permitir o aborto:
a) A pedido da mulher, nas primeiras 10 semanas de gravidez, para preservação da sua integridade moral, dignidade social ou maternidade consciente;
b) Caso se mostre indicado para evitar perigo de morte ou grave e duradoura lesão para o corpo ou para a saúde física ou psíquica da mulher grávida, designadamente por razões de natureza económica ou social, e for realizado nas primeiras 16 semanas de gravidez.

4. Com esta redacção, o aborto poderá, na prática, ser realizado sempre que a mulher queira, porque é fácil inventar uma razão de natureza económica ou social. Isto equivale a uma liberalização ( ) do aborto nas primeiras 10 ou 16 semanas.
Assim, pergunta escolhida para o referendo é ainda mais liberalizadora do que a do citado diploma, do ponto de vista dos motivos justificativos do aborto, abrindo caminho a uma liberalização num prazo mais dilatado.
A pergunta do referendo visa despenalizar – o que equivale a legalizar, a autorizar – o aborto a pedido da mãe, nas primeiras 10 semanas de gravidez, seja qual for o motivo invocado – mesmo que por mera conveniência ou comodidade da mãe.

Não à interrupção voluntária da vida
5. O que está em causa não é só a gravidez da mulher, mas também a vida do bebé: é a protecção jurídica da vida humana e o direito à vida, que é, obviamente, o primeiro e principal direito humano ( ), porque dele dependem todos os outros. Merece a protecção máxima.
6. Esta questão é uma das mais marcantes da filosofia político-social de um País e, por isso, não pode deixar ninguém indiferente. Não é só uma questão do foro íntimo das mulheres. Não é só uma questão religiosa. Não é uma questão secundária, no debate político.
Por isso, a Constituição portuguesa afirma que “a vida humana é inviolável” (no art. 24.º ( )).
E a Declaração Universal dos Direitos do Homem, da ONU, proclama que “todo o indivíduo tem direito à vida” (art. 3.º)( ).
Obviamente, a vida humana deve ser protegida desde que existe vida humana.
Consequentemente, a lei ordinária deve proteger a vida humana e condenar todos os actos que a ponham em causa, desde que começa até à morte natural.
7. A esmagadora maioria dos cientistas e, sobretudo, dos especialistas em fetologia está, hoje, de acordo em que a vida humana é um processo contínuo de desenvolvimento, que começa com a fecundação do óvulo pelo espermatozóide e termina com a morte ( ).
A partir da concepção, surge um novo ser humano, distinto quer da mãe quer do pai. Tanto que tem um genoma diferente do de ambos e que é o mesmo em todas as células do corpo, desde a primeira divisão da célula resultante da fusão do óvulo com o espermatozóide até à morte. A autonomia do embrião é bem clara nos casos de “bebé proveta” e da “barriga de aluguer”.
Os médicos sabem, hoje, que o feto seria rejeitado pela mãe, como um corpo estranho, se não enviasse para a mãe uma proteína, como quem diz: “não me rejeites porque eu ainda preciso de ti”.
O processo de desenvolvimento do ser humano é contínuo e um só, desde a fecundação até à morte, não havendo qualquer diferença essencial de natureza em nenhum momento desse processo. Com 10 semanas, o coração bate, o bebé chucha no dedo e dá sinais de sofrimento ( ). Isso pode ser facilmente comprovado por ecografia, embrioscopia e fetoscopia. E é bem claro num recente e interessantíssimo video da National Geographic Society.
Com sete meses de gravidez, a criança já pode sobreviver fora da mãe, de modo que o nascimento aos nove meses não representa senão uma nova fase da mesma vida, como a adolescência ou a velhice.
8. Há quem diga que o embrião é um “monte de células”. É verdade que todos nós pertencemos ao género “monte de células”, mas células vivas (que se desenvolvem rapidamente) e da espécie humana: o embrião não é um peixe, nem um rato, nem uma amiba! A vida gerada por um homem e uma mulher só pode ser uma vida humana. Por isso, merece protecção.
Há quem tenha dúvidas sobre o momento em que começa a vida ou em que a vida é humana.
Há quem diga que a vida só é humana, a partir do momento em que o cérebro está formado. Mas não há razão nenhuma de fundo para introduzir esse limite, porque o cérebro é tão importante como o coração ou os pulmões e todos os órgãos existem em potência no ADN, desde a fecundação: a partir desta, apenas se desenvolvem gradualmente, sem saltos qualitativos relevantes. A partir das oito semanas as principais estruturas do sistema nervoso central estão formadas e o feto dá sinais de sofrimento.
E, na dúvida, o bébé deve ser protegido, não destruído.
9. Consequentemente, uma lei que admita o direito ao aborto deve considerar-se inconstitucional, por violar o art. 24.º ( ).

Não ao aumento do sofrimento da mulher
10. A experiência de vários países (como os EUA e a Polónia) onde o aborto voluntário foi liberalizado mostra que ele causa frequentemente sofrimentos à mulher: sentimentos de culpa, depressões, disfunção sexual, esterilidade, tendência para aborto espontâneo, etc., que levam, muitas vezes, à promiscuidade, ao divórcio, ao alcoolismo, à droga, à prostituição, ao crime e ao suicídio. E provoca frequentemente cancro da mama.
Na Finlândia, a taxa de suicídios é três vezes maior entre as mulheres que abortaram.
Os advogados americanos de Norma McCorvey, que estão a tentar a revogação da sentença do caso Roe vs. Wade, juntaram 2000 declarações ajuramentadas de mulheres que passaram por tais situações. Isso não acontece sempre e, por vezes, verifica-se vários anos mais tarde; mas, quando um remédio provoca efeitos negativos tão graves e tão frequentes, é habitual ser proibido. Porque não o aborto a pedido?
11. Quando as mulheres procuram clínicas de aborto, não as informam desses riscos e procuram esconder a realidade do aborto. E nem sempre as clínicas têm as condições de higiene que se supõe que deviam ter.
12. Com a penalização do aborto, não se pretende agravar os problemas das mulheres. Pelo contrário, deseja-se evitar-lhes problemas futuros de que elas não têm consciência. O aborto legal não é seguro: envolve riscos sérios para a vida e a saúde física e psíquica da mulher. Se o aborto voluntário for proibido, muitas mulheres não chegarão a cometê-lo. Se for permitido, muitas fá-lo-ão, convencidas de que não faz mal nenhum – o que não é verdade.
13. É importante afirmar o princípio da proibição, mesmo que se admitam, em casos concretos, situações de verdadeiro estado de necessidade desculpante (já previsto no Código Penal, art. 35.º). Uma coisa é considerar crime um certo tipo de acto objectiva e geralmente ilícito; outra muito diferente é condenar ou absolver uma pessoa, em concreto, atendendo ao conjunto de situações desculpantes ou circunstâncias atenuantes em que cometeu o acto.
A qualificação do aborto, em geral, como crime é importante para desincentivar tal prática. Porque a lei tem um efeito pedagógico. E a prática do aborto é profundamente contrária ao respeito pela vida humana; mesmo que, na realidade, tal pena seja poucas vezes aplicada, como tem acontecido em Portugal.
Isso não é hipocrisia, mas, frequentemente, o resultado da verificação de causas de justificação ou de exclusão da culpabilidade (como o estado de necessidade, a inconsciência da ilicitude, etc.). Mas essa é a regra geral aplicável a todos os crimes: quando dois homens, que não sabem nadar, estão, no mar alto, num barco onde só cabe um, não é punido aquele que matar o outro para salvar, ao menos, uma das vidas. Noutros casos, a não punição é uma manifestação de justiça, de tolerância ou de perdão.
14. Ninguém quer pôr mulheres na prisão: o que queremos é que não haja abortos voluntários – nem legais nem clandestinos.
Liberalizar o aborto tem como consequência introduzir um princípio na vida social que induz a incentivá-lo, cada vez mais. Porquê 10 semanas ( ) e não 12 ou 36 semanas (nove meses)? Ou nos primeiros três meses após o parto (hoje, “infanticídio”)? São fases seguidas do mesmo processo de desenvolvimento! E, se a lei for alterada, haverá mais mulheres a fazer aborto atrás de aborto. Infelizmente, essa é a realidade verificada em todos os países onde o aborto foi despenalizado.
Dizer que se quer despenalizar a IVG para não ter mulheres no tribunal ou na prisão, dando a sensação de que se tem pena das mulheres (para captar os seus votos?), é pura demagogia: se a mulher abortar após as 10 ou 15 ou 36 semanas não será levada a tribunal? E não será punida? A mulher que fizer um aborto clandestino não será punida? Deveremos ceder, só para evitar a manifestações na TV? Então, passaremos a ceder perante tudo o que for exigido na TV?
É menos mau mandar para a prisão algumas mulheres por aborto ilegal, do que muitas mulheres por crimes cometidos na sequência de abortos legais.
15. Argumenta-se que o julgamento da mulher que abortou leva à violação da privacidade desta. Na verdade, a investigação e prova do crime exige, normalmente, exames ginecológicos. Em todo o caso, tais exames são semelhantes aos que todas as mulheres fazem regularmente, por motivos de higiene. E a necessidade de protecção do novo ser humano justifica tal intervenção na privacidade da mulher, que esta, aliás, pode evitar, omitindo o aborto.

Não ao direito da mulher ao aborto!
16. Defender a despenalização em nome da liberdade de escolha da mulher equivale a esquecer que a liberdade de cada um termina onde começa a liberdade dos outros; e o outro, neste caso, é um ser humano inocente e indefeso, que nunca terá liberdade, se nem chegar a nascer.
17. Reconhecer à mulher o direito ao aborto a pedido equivale a sobrepor o interesse da mulher ao direito à vida da criança.
Quando há um conflito de direitos, a regra é que deve prevalecer o que deva considerar-se superior ( ). Por isso, a maior ou menor riqueza, a dignidade social, a consciência da maternidade ou a saúde psíquica da mãe, por respeitáveis que sejam, não devem prevalecer sobre a vida do nascituro, que é um ser humano com dignidade igual à da mãe.
Se despenalizar o aborto a pedido, a lei suprimirá o próprio conflito de direitos entre a mãe e o filho, favorecendo apenas a mãe, em detrimento sistemático da criança, ser humano inocente e indefeso!
18. É errado afirmar um direito absoluto da mulher a dispor do seu próprio corpo, porque nenhuma mulher deu vida a si própria, de modo a poder tirá-la. Pode a mulher dispor de partes destacáveis do corpo, como o cabelo, as unhas ou certos órgãos; mas a criança não é parte do corpo da mãe. Tratá-la como simples parte da mãe é considerá-la como uma coisa, como os antigos tratavam os escravos!
Por outro lado, fora da hipótese de clonagem, geralmente condenada, nenhuma mulher consegue gerar um filho sozinha, sem o esperma de um homem. O filho nunca é só dela. Ela não pode, por isso, decidir sozinha sobre a vida do filho. Na falta de acordo dos pais, deve prevalecer sempre a vida da criança. E a própria formulação da hipótese de um acordo dos pais sobre a vida da criança mostra que esta é distinta dos pais e, portanto, merece protecção.
19. O feto depende da mãe, antes do parto, como também a criança nos primeiros tempos depois do parto. Como todos os homens dependem de outros, sempre que sofrem de doenças graves.
Com as novas tecnologias da fecundação assistida, etc., é possível assegurar a sobrevivência de embriões e fetos fora da mãe biológica.
Vivendo, normalmente, dentro da mãe e alimentando-se dela, não pode o embrião considerar-se, todavia, como simples parte do corpo da mãe, precisamente porque resulta também da intervenção do pai e tem características distintas de ambos. Pode parecer chocante, à primeira vista, mas, se bem pensarmos, para a criança depois da fecundação, o corpo da mãe é como uma incubadora – uma excelente incubadora, a melhor incubadora.
20. Pretende-se reconhecer um direito ao aborto, ou seja, a que um serviço público preste e ou pague o serviço de matar um ser humano indefeso! Quando não há camas para todos os doentes! Quando não há verba para tratar todos os doentes! Quando seria bom que a população crescesse! E quando há outros meios eficazes e acessíveis de planeamento familiar!
21. Reconhecer o direito ao aborto a pedido da mulher conduz à completa irresponsabilização do homem, pelas crianças que gera. Isso é tanto mais grave quanto o pai da criança é, muitas vezes, quem mais pressiona a mulher para abortar. Outras vezes, o pai quer ter a criança, mas a mãe decide abortar sem sequer o ouvir.

Não a uma lei contrária à natureza!
22. A proibição do aborto é, assim, uma exigência que corresponde à natureza das coisas: é de direito natural, que o próprio legislador deve respeitar, quando faz leis ( ).
23. A questão da ilicitude do aborto não é, apenas, uma questão religiosa.
A proibição do aborto é muito anterior a Cristo. Consta do célebre juramento de Hipócrates, prestado pela generalidade dos médicos, desde o séc. IV a. C. até hoje ( ).
Consta do Antigo e do Novo Testamento ( ). É doutrina da Igreja, desde os primeiros séculos da nossa era e dos primeiros concílios, de 300 e 314, recentemente reafirmada no Código de Direito Canónico de 1983 ( ), na Encíclica “Evangelium vitae”, de 1995, e em múltiplas declarações dos Papas e bispos e, recentemente, da Conferência Episcopal portuguesa.
É também a posição de diversas outras religiões ( ).
Mas o direito à vida não é uma questão meramente religiosa. A defesa da vida é uma questão ética e política, que se impõe, qualquer que seja a religião da pessoa.
24. Por outro lado, a Igreja Católica tem sido muito atacada neste contexto, mas não tem que receber lições de solidariedade: há, actualmente, cerca de 2000 instituições vocacionadas para a protecção de mulheres grávidas e crianças indesejadas, criadas pela Igreja (padres ou leigos). E não são de hoje: basta pensar nas Misericórdias, criadas pela Rainha D. Leonor, no séc. XV, que tinham as célebres “rodas de enjeitados”.

Não a uma lei retrógrada!
25. Não é pelo facto de a proibição do aborto ser afirmada há muitos séculos, que a liberalização do aborto pode considerar-se uma ideia moderna.
Houve também quem a defendesse na antiguidade.
A verdade é, todavia, que, até ao séc. XIX, o aborto era muito perigoso, envolvendo quase sempre a morte da mãe. Por volta de 1750, encontrou-se uma técnica de aborto menos perigosa, de modo que, após a Revolução Francesa, o aborto foi legalizado em muitos países.
Entretanto, em 1843, Martin Berry descobriu o processo de reprodução tal como é hoje conhecido. E, em 1857 e 1870, a American Medical Association elaborou dois relatórios concluindo, sem margem para dúvidas, que o aborto era inaceitável. Daí surgiram campanhas para proibir o aborto, que levaram à aprovação de leis nesse sentido na maioria dos Estados ( ).
26. No séc. XX, o primeiro país a liberalizar o aborto foi a União Soviética, em 1920. Hitler liberalizou-o nos territórios ocupados pela Alemanha, ao mesmo tempo que recomendava aos “arianos” que tivessem muitos filhos. Foi, todavia, em meados do século que se intensificou o movimento de liberalização ( ). Foi defendida, nos Estados Unidos, desde os anos sessenta, e é uma das teses do Maio de 68. Posteriormente, vários Estados do mundo liberalizaram mais ou menos o aborto.
27. A partir dos anos 90, está em retrocesso e ultrapassada ( ). Alguns dos mais entusiastas defensores da liberalização do aborto defendem, hoje, a sua proibição. É o caso do Dr. Bernard Nathanson ( ) e de Norma McCorvey, queixosa no célebre caso Roe versus Wade, que serviu de precedente à liberalização na América. A tendência contrária à liberalização do aborto é cada vez mais forte no mundo. Nos E.U.A., após 1994, aumentou significativamente o número de Estados que aprovaram legislação restritiva ( ).

Não a uma lei que agrava os problemas do aborto clandestino
28. O aborto clandestino, tantas vezes feito sem cuidados mínimos de higiene, causa problemas de saúde pública preocupantes: hemorragias, infecções, risco de morte, etc.; em todo o caso, não é tão frequente quanto os pró-escolha tentam fazer crer.
29. Mas A despenalização do aborto “legal” (não do clandestino!) não resolve, antes agrava esses problemas! É errado pensar que a despenalização do aborto a pedido reduz o número de abortos clandestinos. O que se verifica, nos países em que houve liberalização, é precisamente o contrário: não só o número de abortos legais cresceu exponencialmente, como o número de abortos clandestinos aumentou assustadoramente.
Por exemplo, nos E.U.A., o número de abortos legais foi de 18.000 em 1968, e de 193.500 em 1970, passando para 1.034.200 em 1975 (depois da liberalização) e atingindo cerca de 1.500.000 desde 1979 até hoje (cerca de 28 abortos por 1000 mulheres de 15 a 44 anos)! 82% destes abortos são feitos por mulheres entre os 15 e 29 anos; 80% por mulheres não casadas. 77% dos abortos são feitos nas primeiras 10 semanas. Os casos “dramáticos” invocados mais frequentemente para justificar a liberalização (perigo de morte da mãe, malformações do feto, menoridade inferior a 15 anos da mãe, violação, etc.) são muito raros (menos de 3%), sendo a esmagadora maioria “justificados” por motivos “não médicos” (mais de 97%) ( ).
Em Espanha ( ), em 1994, foram feitos 47.832 abortos (5,38 %o mulheres), em 101 centros; e em 2004, foram 84.985 abortos (8,94%o), em 133 centros, sendo 96,44% dos abortos feitos em centros privados.
Na Índia, onde o aborto é legal há mais de 25 anos, foram feitos, em 1995, 900.000 abortos legais e 9.000.000 abortos clandestinos ( )( ).
30. Isso é lógico, porque, se a lei diz às mulheres que abortar a pedido é legal, elas convencem-se de que é seguro e não faz mal.
31. Em Portugal, em 2005, os hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) realizaram 906 IVG e trataram 73 complicações decorrentes de abortos ilegais. Os números (ainda provisórios) da Direcção-Geral da Saúde (DGS) revelam um aumento de 72 interrupções voluntárias da gravidez, em relação a 2004, e de 185, em comparação com 2003 ( )( ).
Se o aborto for despenalizado até às dez semanas, é previsível que os hospitais passem a receber muitos mais pedidos de mulheres que queiram interromper a gravidez. Nesse cenário, os maiores hospitais públicos não têm condições humanas e técnicas para responder a um número mais elevado de IVG ( ), havendo que recorrer a clínicas privadas. Prevê-se que cada aborto custe cerca de 350 a 700 Euros – segundo disse o Ministro da Saúde, há dias.
Entretanto, foram vendidas, em 2005, em Portugal, cerca de 230 mil embalagens de pílulas do dia seguinte.
32. Para diminuir o número de abortos, clandestinos ou não, é necessário, sobretudo, mais informação e apoio às mulheres grávidas em dificuldade, antes e depois do parto – como o que tem vindo a ser prestado pelo Ponto de Apoio à Vida, pela Ajuda de Mãe, pela Ajuda de Berço e por tantas outras instituições de Norte a Sul do País. Cerca de 50 dessas instituições foram criadas depois do referendo de 1998 pelos movimentos de defesa da vida. Por elas passaram cerca de 100.000 mulheres, tendo sido evitados muitos abortos.
Muitas dessas instituições vivem de donativos de particulares, mas também de subsídios do Estado e das autarquias locais – que não darão todo o apoio necessário (será possível nalgum campo?), mas dão muito a quem as procura. São pouco conhecidas? Talvez; há quem não queira que a mão direita saiba o que dá a esquerda; e também há quem procure branquear o que se faz de bom à sua volta: só é notícia “o homem a morder no cão”…

Não ao aborto por motivos económico-sociais
33. Defende-se, muitas vezes, a “interrupção voluntária da gravidez” invocando a má situação económico-social da mulher; mas os problemas económico-sociais devem ter soluções económico-sociais: se a mulher não tem rendimentos suficientes para sustentar o filho, o Estado, em vez de pagar as despesas do aborto, pondo em causa a vida da criança, deve dar-lhe ajuda ou promover a adopção.
34. A vida humana tem um valor superior a todos os outros valores económico-sociais.
É contraditório fechar maternidades e, simultaneamente, prever verbas elevadas para pagar abortos.
35. Por vezes, aceita-se o aborto em nome da qualidade de vida da mãe. Mas porque se pensa só na qualidade de vida da mãe e não na da criança? E o que é a qualidade de vida? Que qualidade tem uma vida egoísta e sem amor? Que qualidade de vida tem uma mãe que sabe que matou um filhinho inocente? Os homens esquecem facilmente os problemas da depressão da mulher posterior ao aborto. Muitas vezes, o aborto voluntário é, apenas, uma manifestação de egoísmo.
Além disso, é falso que o aborto melhore a qualidade de vida da mulher. O aborto (legal ou clandestino) apresenta elevados inconvenientes e riscos para a sua vida futura: tendência para o suicídio, pesadelos, má vida sexual, etc.
36. O problema social das mulheres que não desejam criar os filhos, deve ser resolvido, não com uma pseudo-solução “médica”, mas sim com uma solução social. É necessário encaminhá-las para centros de apoio e acolhimento dos filhos que elas queiram rejeitar, para uma das muitas instituições para isso vocacionadas.
37. É preocupante a frequência de “mães adolescentes”. A solução não está, todavia, em permitir que as adolescentes grávidas façam abortos, que as deixam traumatizadas para o resto da vida; mas sim em educá-las para que não tenham relações sexuais antes da idade própria e fora do casamento. Isso contribuiria, aliás, para reduzir os casos de SIDA – como mostra a experiência do Uganda (único país do mundo em que a epidemia tem vindo a diminuir significativamente), que merecia ser mais conhecida.
38. Por vezes, diz-se que é uma discriminação inadmissível que as mulheres ricas possam abortar no estrangeiro (ou em clínicas privadas) e as mulheres pobres sejam punidas, só porque não têm dinheiro para ir ao estrangeiro (ou a clínicas privadas). Mas é um argumento demagógico. Primeiro, porque, de facto, as mulheres que abortam raras vezes são punidas em Portugal: que eu saiba, nenhuma está presa ou foi presa nos últimos anos por interromper voluntariamente a sua própria gravidez. E, se as mulheres vão a Espanha abortar, também poderiam fazê-lo em Portugal, porque a lei espanhola é igual à portuguesa. Segundo, porque este género de desigualdades continuará a existir ( ), a menos que o Estado subsidie todos os abortos em clínicas de luxo – o que é incomportável e eticamente inaceitável. Terceiro, porque o facto de haver mulheres ricas que cometem erros em clínicas privadas não justifica que criemos condições para que os mesmos erros sejam cometidos pelas pobres em clínicas públicas, à custa dos contribuintes. De resto, essa aparente injustiça verifica-se em muitíssimos outros casos, a que pouca gente dá importância.
39. A questão do aborto não é só uma questão da consciência de cada um, nem uma questão íntima da mulher, que apenas a ela diz respeito. O que está em causa é a vida de um ser humano, e um ser humano inocente e desprotegido. O Estado tem o dever de o proteger, através dos mecanismos ao seu alcance, nomeadamente, da lei penal.
40. A liberalização conduz à utilização do aborto como mais um método de controlo da natalidade, ao lado dos contraconceptivos, o que é inaceitável.
41. Alguns defendem o direito de escolha da mulher entre abortar ou não em nome de um direito à maternidade responsável, apresentando o aborto como meio de evitar uma criança indesejada.
Como é sabido, uma gravidez indesejada evita-se, não tendo relações sexuais ou adoptando um dos vários métodos conhecidos de planeamento familiar. Sabendo que todos estes métodos são falíveis, a mulher que tem relações sexuais num período fértil assume, necessariamente, o risco e a responsabilidade de ficar grávida. A escolha é dela (mesmo quando condicionada pelo companheiro – a hipótese de violação, bem ou mal, já está despenalizada). A partir do momento em que foi gerada uma criança, não pode haver escolha para a matar! ( )
Não é admissível que uma mulher mate um filho por nascer, só porque preferia ter uma filha.
42. Não obrigamos ninguém a abortar clandestinamente. Não queremos é que crianças inocentes estejam sujeitas a morrer por decisão das próprias mães ou dos pais ou de terceiros.
43. Não é coerente proteger (muito justamente) os deficientes adultos e desproteger os deficientes nascituros. São todos seres humanos.
44. O desrespeito pela vida no seu início leva a semelhante desrespeito pela vida dos idosos e deficientes. A liberalização do aborto conduz, assim, à liberalização da eutanásia e à degradação da família.
Não é coerente ser contra a pena de morte, contra o infanticídio, contra a destruição de espécies animais e vegetais em vias de extinção e, simultaneamente, a favor da morte dos nascituros, eufemisticamente chamada interrupção voluntária da gravidez.
É preciso proteger a vida, desde o princípio e, sobretudo, a dos mais indefesos.
45. O que está em causa não é a tolerância para com as mulheres que fazem abortos: essa tolerância tem existido, como prova o escasso número de condenações pelos tribunais e a relativa frequência de condenações com pena suspensa. Não por hipocrisia, mas por misericórdia.
Mas uma coisa é a tolerância para com as pessoas concretas, outra bem diferente é a tolerância perante o desprezo pelo valor fundamental da vida da criança indefesa. Não queremos pôr ninguém na cadeia, queremos é que não haja abortos, nem legais nem clandestinos.
46. Acresce que, na pergunta do referendo a expressão "por opção da mulher" é errada, porque os estudos mostram que poucas mulheres abortam por livre opção própria, mas sim por pressão ou recurso. Isto é, se as mulheres tivessem escolha, poucas optariam livremente pelo aborto. É triste que se tire partido do "sim" pressionado de uma mulher grávida e sem apoio e, portanto, vulnerável, para a prejudicar e engordar os lucros das clínicas aborcionistas.
A gravidade desta despenalização é que levou a recorrer ao referendo.
47. É tão legítimo definir o regime legal do aborto por referendo como por lei da Assembleia da República.
É, todavia, delicado submeter o aborto a referendo, por se tratar de uma questão complexa, sobre a qual muitas pessoas não têm ainda informação suficiente. Daí a importância fundamental das acções de esclarecimento objectivo e sereno.
Por outro lado, depois de um referendo favorável ao “não”, ainda que com muitas abstenções, não é politicamente correcto introduzir por lei parlamentar alterações rejeitadas por um referendo recente. E isto vale também para recentes sugestões de suspensão dos julgamentos de mulheres.
48. Nem se diga que metade dos portugueses não pode impor a sua opinião à outra metade, porque isso é normal em democracia! Se o sim ganhar, imporá a sua opinião a quem votou não! E a quem não pode votar nem poderá jamais!

49. Não podemos deixar-nos levar pela propaganda pro-abortista, que falsifica estatísticas, ataca a Igreja (como se a questão fosse meramente religiosa), distorce afirmações de responsáveis (nem sempre desmentidas logo a seguir) e tenta fazer crer que a defesa da vida é uma ideia retrógrada, “medieval” ou “fundamentalista”.
50. A acusação de fundamentalismo e de outros epítetos igualmente agressivos não passa de argumento “ad hominem”, usado por quem já não tem outros argumentos. Pertence à panóplia tradicional de alguns autoproclamados “intelectuais” (de “esquerda”, por definição), que se consideram a si próprios como os detentores exclusivos da inteligência e da modernidade. Isso é que é uma manifestação de arrogância e de intolerância!
51. Depois dos horrores da Inquisição, do holocausto de 6 milhões de judeus pelo nazismo, dos 85 milhões de mortos pelo comunismo, estamos a assistir a 45 milhões de abortos por ano no mundo! Nos E.U.A, o aborto é a primeira causa de morte (1.540.000), muito acima das doenças cardiovasculares (661.400), do cancro (373.500) e da SIDA (19.886)( ). Na Rússia, o aborto é a principal causa de infertilidade das mulheres e, num terço dos abortos, causa de morte da mãe ( ).
Não queremos ser acusados pelos nossos netos de ter aberto caminho a um novo holocausto dos fetos!

Não ao negócio milionário das clínicas de abortos
52. O crescimento do número de abortos aproveita, sobretudo, às clínicas multinacionais, que são, actualmente, o principal “lobby” pro-liberalização do aborto. Basta pensar que, nos EUA, se fazem cerca de 1.500.000 abortos por ano, e cada um custa em média 300 a 400 dólares ( ). Ou seja, a “indústria” dos abortos vale, hoje, cerca de 450 a 600 milhões de dólares!
53. Embora o próximo referendo (como o anterior) tenha em vista a “despenalização” do aborto, se o sim vencer, virá logo a seguir a regra do pagamento dos abortos pelo Serviço Nacional de Saúde ou e pela Segurança Social ( ). Então, mesmo aqueles que são contra o aborto, terão de suportar os seus custos, através do aumento das contribuições.
54. É chocante que os hospitais públicos, criados para salvar vidas, sejam utilizados para matar.
Quando os hospitais públicos já não têm camas suficientes para atender todos doentes graves e urgentes e estão a fechar-se maternidades, é absurdo permitir e incentivar o aborto a pedido!
O que o Estado iria gastar com os abortos seria suficiente para ajudar todas as mulheres em dificuldade a criar os seus filhos. Porque a maior parte das mulheres que abortam não tem carências económicas.
55. Por outro lado, a liberalização do aborto vai obrigar o Estado a aumentar as despesas públicas, num momento em que é necessário reduzi-las!
56. Por outro lado, para não se tornar em mero fornecedor de abortos, o Estado será levado a fornecer alternativas a quem quiser abortar, por qualquer motivo: vai ter de fornecer casa e subsídios a mães solteiras, como acontece já em Inglaterra, a 70 mil crianças sem pai, por ano, por exemplo. A partir daí, muitas mulheres usarão esse pretexto para extorquir dinheiro ao Estado. Tanto que o Sr. Blair já teve de reduzir o subsídio às mães solteiras e começou a caça aos “pais biológicos”. É que, com este sistema, o homem adquiriu uma irresponsabilidade sexual absoluta! E o Estado está a transformar-se em chefe de família.
57. É paradoxal que se gastem cerca de 25.000 euros com a fecundação artificial de uma criança desejada e, simultaneamente, se paguem milhares de abortos voluntários à razão de 350 a 700 euros cada um. Não seria preferível promover a adopção das crianças indesejadas?

Não a uma lei que agrava o problema demográfico!
58. Além disso, Portugal perdeu, na última década, cerca de 500.000 habitantes e diminuiu significativamente a taxa de natalidade, de modo que o conjunto da população está a envelhecer e diminuir (e só não diminui mais graças à imigração). Será esta a ocasião ideal para incentivar o aborto? A Sr.ª Angela Merkel prometeu 25.000 € por cada criança!

Não a uma lei inconstitucional!
59. Uma resposta afirmativa no referendo abre caminho ao reconhecimento do direito ao aborto, que deve considerar-se insconstitucional!
É certo que o Tribunal Constitucional, em acórdão proferido em 19.3.1984 (por 8 votos a favor e 4 contra), não se pronunciou pela inconstitucionalidade do Decreto que está na origem da Lei n.º 6/84, de 11.5, que alterou o Código Penal de 1982.
Em novo acórdão sobre o mesmo diploma, proferido em 29.5.1985 (por 7 votos a favor e 6 contra), o Tribunal Constitucional considerou que o direito à vida só cabe a quem tem personalidade jurídica (que se adquire com o nascimento completo e com vida – Código Civil, art. 66.º), admitindo que a protecção da vida pré-natal, tenha de ceder, em caso de conflito, perante outros direitos fundamentais, como os direitos da mulher à vida, à saúde, ao bom nome e reputação, à dignidade, à maternidade consciente!
Estas posições, além de serem discutíveis e discutidas, não correspondem, todavia, a um correcto entendimento das conclusões da ciência da fetologia, que afirma ser a vida humana um processo de desenvolvimento único e ininterrupto, desde a concepção até à morte. E não é admissível que a protecção da vida do nascituro tenha de ceder perante o simples direito ao bom nome da mulher ou à maternidade consciente.
60. O acórdão do Tribunal Constitucional, aprovado em 17.4.1998 (por 7 votos contra 6), sobre a pergunta submetida a referendo ( ), considera que “não havendo uma imposição constitucional de criminalização na situação em apreço, cabe na liberdade de conformação legislativa a opção entre punir criminalmente ou despenalizar a interrupção voluntária da gravidez efectuada nas condições referidas na pergunta”. Para 7 dos 13 Conselheiros, “o feto (ainda) não é pessoa, um homem, não podendo por isso ser directamente titular de direitos fundamentais enquanto tais” (incluindo o direito à vida) – embora reconheçam que o art. 24.º da Constituição integra “a protecção da vida humana intra-uterina” (com manifesta contradição interna).
O que está em causa não é apenas a protecção de um “direito” (que há quem queira reconhecer a um ser humano depois de nascer), mas a protecção jurídica de um ser humano, que existe como tal desde a fecundação, mesmo antes de nascer.
61. O mais recente acórdão do Tribunal Constitucional, de 15.11.2006 (por 7 votos a favor e 6 contra), considerou constitucional o referendo proposto; mas desprezando os dados científicos sobre o início da vida humana e com seis extensos e bem fundamentados votos de vencido, em que, nomeadamente, se considera que a referência da pergunta a “um estabelecimento de saúde legalmente autorizado” induz uma resposta afirmativa e que o sim ao referendo contraria o princípio da inviolabilidade da vida, consagrado no artigo 24.º, n.º 1, da Constituição.
62. O próprio Código Civil dispõe que “A personalidade adquire-se pelo nascimento completo e com vida” (art. 66.º, n.º 1); mas protege a personalidade física e moral, em termos que abrangem os nascituros. Nomeadamente, os nascituros podem ser perfilhados, podem adquirir bens por doação ou sucessão por morte e têm o direito a que a herança, que lhes seja deixada, seja administrada (Código Civil, art. 952.º, 1855.º, 2033.º e 2240.º). Pode, por isso, afirmar-se que os nascituros já têm personalidade jurídica, embora com capacidade limitada e condicionada ao nascimento com vida ( ).
63. Por outro lado, há seres protegidos penalmente sem terem personalidade jurídica: é o caso, por exemplo, das espécies animais ou vegetais em vias de extinção, como o lince da Serra da Malcata, cuja morte é punível com prisão até três anos ( ) – a mesma pena aplicável ao aborto, pelo art. 140.º!

Não ao aborto a pedido!
64. Se a redacção vigente do Código Penal já ultrapassa os limites da ética, uma resposta afirmativa à pergunta do referendo é de extrema gravidade, pois abre a porta a um aumento exponencial do número de abortos.
Actualmente, realizam-se já, no mundo, cerca de 45 milhões de abortos por ano! Isto, ao abrigo de leis liberalizadoras que os socialistas pretendem copiar.
Será que Portugal, que foi pioneiro na abolição da pena de morte para criminosos, vai a reboque da moda ( ) tendente a autorizar a morte de seres humanos inocentes? E isso, por mera conveniência da mulher e das clínicas de aborto?
Será que Portugal, que foi pioneiro na abolição da escravatura, vai a reboque da moda tendente a negar a vida a seres humanos em desenvolvimento, só porque uma lei (modificável) não lhes reconhece a personalidade jurídica? Os esclavagistas também utilizavam esse argumento!
E isto, quando nos Estados Unidos e noutros países do mundo, se verifica que a legalização do aborto apenas tem como efeito o aumento exponencial do número de abortos, quer legais quer clandestinos – ou seja, quando as leis liberalizadoras têm efeitos opostos aos que se invocam como justificação para as introduzir. Pelo contrário, a experiência da Polónia mostra que a penalização do aborto reduz muito significativamente tanto os abortos legais como os clandestinos.
Será que vamos legalizar os roubos, a pretexto de que a maioria dos ladrões não são apanhados e é injusto que uns sofram na cadeia e os outros não?
65. A necessidade de protecção da vida humana é, hoje, patente também em relação à procriação artificial, eufemisticamente chamada procriação medicamente assistida (como se a procriação normal não beneficiasse, frequentemente, de assistência médica). É preciso que o legislador seja coerente na protecção da vida humana, desde a fecundação, proibindo a investigação sobre embriões que conduza à sua destruição; proibindo a utilização de embriões (matando-os) para produzir remédios para doenças de outrem (instrumentalizando um ser humano indefeso em benefício de outro); proibindo a produção de embriões excedentários destinados à morte; etc.
66. A comunicação social (sobretudo, a TV) criou a impressão de que o sim vai ganhar; mas só será assim se nós quisermos! Isso também aconteceu em 1998 e, depois, ganhou o não! Temos é que convencer todos os que nos cercam a votar não!
É preciso que todos votem: se houver mais de 50% de abstenções, o resultado do referendo não será vinculativo e os defensores da despenalização irão defender a despenalização por lei da Assembleia da República.
É preciso que todos votem não: mesmo que o referendo não seja vinculativo, a vitória do não é politicamente relevante – como aconteceu com o referendo de 1998.
Quem tem dúvidas, deve esclarecê-las (lendo os livros que tratam do assunto e participando em sessões de esclarecimento) e votar não!
Por todos estes motivos, no referendo sobre o aborto, a resposta só pode ser uma: não à despenalização do aborto a pedido! É mau matar seres humanos e aumentar o sofrimento da mulher!
Luís Brito Correia
2.2.2007

Recordações de viagem: Guatemala e Panamá

No dia 17 de Novembro de 2000 parti de Hong Kong para uma inesquecível viagem de 25 dias, no começo de quase dois meses de férias.
A primeira paragem foi em Nova Iorque onde, porque lá voltaria, deixei a maior parte da bagagem. No aeroporto tinha uma maravilhosa surpresa à minha espera: as duas princesas da tia, a mais nova das quais pude abraçar pela primeira vez.
Depois de várias atribulações que meteram vôos NY-Houston-Dallas-Guatemala City, cheguei finalmente a Antigua, a antiga capital da Guatemala.
A casa onde fiquei era deliciosa, foi construída em 1567. Fiquei num quarto independente num 1o.andar, enquanto toda a casa é de piso térreo, com um pátio cheio de flores e estátuas antigas. Tinha vista para dois vulcões.
A cidade e as pessoas eram simpáticas. Quase todas as casas são de piso térreo com muitas influências espanholas e com recantos verdadeiramente encantadores. Viam-se imensos descendentes de Maias pelas ruas.
Deliciei-me a passear pelas ruas, a viajar para trás no tempo, tendo todo o tempo do mundo para tirar fotografias à vontade (acho que é quase a única vantagem de viajar sozinha).
Depois estive em Tikal, que é espectacular, porque fica completamente no meio da selva; foram os monumentos impressionantes, no meio de uma vegetação luxuriante que ainda cobre imensos e que assim continuarão para não desequilibrar o ecossistema...
Foram os cheiros da selva, os ruídos dos pássaros, dos macacos e sei lá de que outros animais, como os beija-flor (minúsculos e rapidíssimos), um pica pau de crista encarnada, tucanos em miniatura com bicos maiores que o corpo, uns primos de perus, de papa-formigas, etc.
A seguir fui para Chichicastenango onde fiquei num dos hotéis mais espectaculares do país porque está todo decorado com peças antigas; o meu quarto era lindíssimo e dava a sensação de andar para trás no tempo... aliás todo o hotel era assim...
Aí havia um mercado, repleto de gente com os trajes regionais, uma paleta de cores e de expressões, um misto de sagrado e de profano, o catolicismo acompanhado dos cultos locais; assisti ao baptizado de dezenas de crianças e levei um raspanete do sacristão por causa das fotografias.
Continuei para o lago Atitlán onde fiquei extasiada com a paisagem - 3 vulcões envoltos em flocos de nuvens, que mais pareciam blocos de algodão de um branco imaculado, com uma luminosidade indiscritível, verdadeiramente indiscritível, porque o sol estava estranho com reflexos prateados no lago que por sua vez se reflectiam nas nuvens.
Aproveitei a proximidade para ir até Copan, nas Honduras, ver o que os Maias ali deixaram e que tem características diferentes de Tikal; enquanto Tikal se caracteriza por construções mais imponentes em termos arquitectónicos, Copan tem características mais artísticas para além de ter inúmeros testemunhos escritos que permitiram investigar muito a civilização Maia. Aliás a enorme escadaria com os degraus repletos de hieróglifos contribuiu muito para a sua classificação como património mundial pela UNESCO.
No dia seguinte fui a Quiriguá outro sítio com vestígios maias; aí só existem estelas, tudo no meio de uma imensa vegetação e com pássaros a cantar por todo o lado, e depois fui passear no Rio Dulce, até Livinsgton que já tem muitas características caribenhas principalmente em termos de população.

Seguiu-se o Panamá, em casa de um casal de pianistas que conheci em Macau, pois o Jaime Ingram, que na altura era também embaixador do Panamá em Madrid, integrou o júri do concurso Vianna da Motta.
Nos primeiros dias passeei pela cidade, super-moderna e bem arranjada, visitei o famoso canal, adorei o Museo del Canal.
Na última semana em que estive no Panamá fui ao arquipélago de San Blás (Kuna Yala) onde vivem os índios Kuna que se caracterizam por uma política de não abertura à civilização, mantendo-se muito arreigados às suas tradições e modo de vida comunitário.
Mal cheguei à ilha levantou-se um temporal tal que o meu quarto ficou sem parte do telhado... No entretanto, eu estava deitada em cima da cama tapada com mantas e plásticos.
Os Kuna são na sua maioria bastante desagradáveis o que provoca a animosidade de quase toda a gente a começar pelos panamenhos: o sistema obriga a que os turistas estejam sempre acompanhados por alguém da comunidade e que paguem um dólar por cada fotografia que queiram tirar, e só após obtida a concordância dos guias, ou então depois de comprarem molas - o trabalho artesanal mais característico da comunidade que consiste em panos de várias cores cozidos entre si e que são, em grande parte dos casos, muitíssimo trabalhosos. Cada mola pode chegar aos sessenta dólares.
Ao invés, os índios Emberá bastante mais primitivos e que vivem na província de Darien e verdadeiramente no meio do mato, são muito mais simpáticos; andei a fazer ecoturismo nessa zona, vi pássaros, capivaras e uma águia Harpia (o símbolo nacional do Panamá) com nove meses que tinha um bicho que a mãe já tinha caçado nessa manhã entre as patas; a aguiazinha estava no alto de uma árvore enorme, mas pude vê-la relativamente bem porque comprei um telescópio adaptável à máquina fotográfica e os guias também tinham um telescópio simples e binóculos; a mãe, por sua vez, devia estar a controlar-nos porque a ouvíamos com imensa nitidez mas infelizmente não conseguimos vê-la; e no dia anterior vi falcões a tentarem caçar um esquilo, o que para minha grande alegria não aconteceu enquanto por ali andei...
Quanto aos índios, ficámos um dia a dormir na tribo, que não tem nem electricidade, nem geradores, nem água canalizada (tomam banho no rio), deitam-se ao pôr-do-Sol e levantam-se quando este nasce, os homens andam de tanga e as mulheres nuas da cintura para cima e muitos andam pintados com motivos inspirados na fauna e na flora.
Por incrível que pareça nenhum dos seus mitos tem a ver com a astronomia - nada sabem sobre o Sol, as estrelas, as constelações... só sobre a natureza terrestre que os rodeia... Falam um dialecto que não tem forma escrita apesar de estarem a pensar em arranjar uma forma de escrita que lhes permita perpétuar as suas memórias e tradições na sua própria língua...
Porque foram umas férias inesquecíveis: Guida aqui fica o testemunho para que te inspires.
O resto do tempo foi passado em NY, entre sobrinhas, visitas a museus, compras e frio, muuuuiiiiito frio.

"Imagens que passais pela retina dos meus olhos"

Yubeng, Abril 2006

Vox Populi

Mais vale um pássaro na mão que dois a voar.

...

Macau, Maio 2006


As nossas vidas são como o movimento do Sol. Na hora mais escura há a promessa da luz do dia.
Editorial do Times, 24/12/84

Dois ou três sopros pela vida

Pensamentos contraditórios e dois ou três sopros pela vida
por Gonçalo Reis

Pier Paolo Pasolini, esse poeta e cineasta sublime, esse ícone da esquerda, esse herói anti-sistema, escreveu nos anos setenta uma série dramática de textos atacando frontalmente o aborto. Não era um conservador, não era da Igreja, não era um tradicionalista. Estava no campo oposto. Mas era um homem de cultura e que gostava exageradamente da vida, da vida toda, de todas as vidas, desde o princípio. Disse: "Estou porém traumatizado pela legalização do aborto, porque a considero, como muitos, uma legalização do homicídio. Nos sonhos e no comportamento quotidiano - coisa comum a todos os homens - eu vivo a minha vida pré-natal, a minha feliz imersão nas águas maternas: sei que já lá eu existia. Limito-me a dizer isto porque, a propósito do aborto, tenho coisas mais urgentes a dizer. Que a vida é sagrada é óbvio; é um princípio ainda mais forte do que qualquer princípio da democracia, e é inútil repeti-lo."

Algo de maravilhoso une os defensores do "sim" e do "não": vivem. Vivem porque os pais decidiram não abortar.

Alguns promotores do "não" escusavam de se basear em argumentos tecnocratas, tais como o envelhecimento da população e o custo dos abortos. É evidente que se deve fomentar a natalidade, mas aí está um outro debate. Que diabo, a defesa da vida, da vida individual e irrepetível, vale por si mesma. Não é conjuntural. Poderíamos atravessar um ambiente de forte crescimento populacional ou de superavit orçamental, seria indiferente. O combate pela vida não deveria assentar em razões de bem-estar da sociedade. Tal seria cair num insuportável relativismo. Trata-se antes de algo terrivelmente mais absoluto e delicado: proteger os que já vivem mas ainda não nasceram. Um a um.

"Uma vida não vale nada, mas nada vale uma vida", André Malraux.

A vitória do "sim" não resultaria no que alguns dos seus arautos esperam: no fim da questão. O aborto clandestino continuaria a ser uma realidade, pois muitas mães, sobretudo adolescentes, evitariam os estabelecimentos públicos e não teriam disponibilidade para os serviços privados. Os julgamentos em tribunal continuariam a ocorrer nas situações de aborto após as dez semanas. O "sim" não seria uma pedra sobre o assunto, nem uma salvação para os dramas (indiscutíveis) do aborto.

Há múltiplas maneiras de respeitar o ser humano, condenando e combatendo o aborto através de um enquadramento legal que exclua a prisão como pena última. Caminhos heterodoxos, porventura: mais compreensivos do que a situação actual; mais prudentes do que a legalização pura e dura. Estas hipóteses serão possíveis se o "não" ganhar. Aí, a partir da não-liberalização, a partir da valorização inequívoca da vida, poder-se-á pensar e construir soluções equilibradas que afastem o aborto sem justificação.

"Por opção da mulher", dita a pergunta a referendar. Podia ao invés trazer a palavra "mãe". É sempre uma mãe em potência a confrontar-se com a hipótese de aborto. Talvez valesse a pena lembrá-lo.

E o pai, ausente desta escolha, se ganhasse o "sim"? E se a mãe quiser abortar e o pai não? E vice-versa? O pai é tanto pai como a mãe é mãe. Que raio de conceito de família subjaz a esta transferência total de responsabilidade, a esta opção pelo unilateral? Que horror de mundo, a sós, sem ponderação partilhada, sem diálogo, pretende o "sim" oferecer?

Um Estado realizando e promovendo abortos ao mesmo tempo que não realiza, não promove, não apoia devidamente tratamentos de infertilidade para os casais que sonham em ter filhos e não conseguem? Seria essa a realidade do "sim". Triste. Injusta. Gritante.

Os valores da solidariedade, do respeito pela dignidade humana, da inclusão, da harmonização dos interesses, da oportunidade, da defesa do mais fraco (tão fraco que ainda não pode escolher, apenas ser escolhido) - são descartáveis, conforme a fase da vida? E se os esquecermos durante a vida na barriga da mãe, logo no princípio, quanto tempo tardará até que os esqueçamos no fim da vida? Seria imaginável "seleccionar" as vidas e as fases da vida a apoiar?

A modernidade estará sempre do lado da esperança, da vitalidade, do humanismo, da não desistência, da confiança num mundo melhor.

Outra vez Pasolini: "Não há nenhuma boa razão prática que justifique a supressão de um ser humano, mesmo que seja nos primeiros estádios da sua evolução. Eu sei que em nenhum outro fenómeno da existência há tão furiosa, tão total e essencial vontade de vida como no feto. A sua ânsia de realizar as suas potencialidades, percorrendo fulminantemente a história do género humano, tem algo de irresistível e por isso de absoluto e de jubiloso. Mesmo que depois nasça um imbecil".

Fetos e escravos

"Hipocrisia era manter dois tipos de seres humanos, os escravos e os não escravos. A mesma hipocrisia é, hoje em dia, manter dois tipos de seres humanos: os antes e os depois das dez semanas."
Luis Cunha

fevereiro 07, 2007

Vox Populi


Uma imagem vale mais que mil palavras.

Gostei. Subscrevo.

Pela dignidade das mulheres, voto Não!
João Titta Maurício *
Uma das falácias mais repetidas nesta campanha é que o Sim não obriga ninguém a abortar. De facto, tal como hoje, o aborto será sempre um exercício de um poder individual. Mas a formação das vontades individuais é estimulada ou condicionada pelo ambiente social envolvente. E se fosse aprovada esta legislação que, irrestritamente, admite o aborto a pedido não podem restar dúvidas da mensagem que se estaria a transmitir às mulheres e à comunidade: de que a Vida humana – no seu início assim como já o é no seu fim! – é susceptível de ser limitada quanto à sua legitimidade para exigir protecção. E o que nos é proposto votar é que o Estado se exima, se exclua da responsabilidade de proteger a Vida humana até às 10 semanas. Ou seja, o Estado propõe-se, através desta legislação, a afirmar que a protecção concedida pelo art. 24º da CRP (que exige a inviolabilidade da Vida humana) deve ser limitada apenas aos seres humanos com mais de 10 semanas de gestação. Ou seja, numa das matérias mais evidentemente insusceptíveis de limitação por via infra-constitucional, o Estado português procura fugir às suas responsabilidades. E quais são as respostas que devemos exigir do Estado?
No decurso deste debate sobre o aborto, muitas coisas aconteceram. Algumas feias. Muito feias, mesmo. Mas outras foram maravilhosas. Foi desagradável, foi desnecessário o clima de chantagem emocional que temos assistido. Não consigo saber se ele é causa ou consequência da crispação que tem afectado todos os debates, excessivamente emocionais e caracterizados por uma surdez absurda aos argumentos alheios.
Mas foi magnífico, foi sublime, foi inspirador as descobertas que fiz e que quero partilhar. Participei em visitas a algumas instituições na área de Lisboa que, confesso, não conhecia. Foi das experiências que me fizeram sentir, a um tempo, vergonha, a outro, Esperança.
Vergonha, por não as conhecer. Vergonha, por ser a primeira vez que as visitava. Vergonha, por nunca as ter apoiado. Vergonha, principalmente, pela cobardia de nunca ter participado em coisa semelhante e de pouco mais ter feito que levar uma palavra de apreço às mulheres e aos homens que fazem do voluntariado um serviço à causa que proporciona às mulheres grávidas uma verdadeira alternativa ao desespero.
Mas, ao mesmo tempo, senti orgulho. Não por mim ou pelo que eu tivesse feito. Mas por redescobrir o orgulho de pertencer à mesma espécie humana daqueles homens e daquelas mulheres, que todos os dias, voluntária e graciosamente, com imenso sacrifício pessoal e familiar, dão provas de uma enorme solidariedade, de uma verdadeira Caridade aos outros, aos que mais têm falta e no momento que mais precisam.
Estou a falar, em concreto, da “Ajuda de Berço” e da “Ajuda de Mãe”, duas instituições que visitei e que, hoje sei, não são únicas. Porque há outras. Que fazem trabalho semelhante... e que, do Estado, recebem as migalhas do costume. Quem as visita compreende que é ali que está a verdadeira e a boa resposta que, no seu desespero, as mulheres grávidas procuram e anseiam. Não lhes oferecem o aborto como panaceia para os seus males... mas propõem-lhes caminhar com elas para os ultrapassarem.
Porque não é através da berraria mediatizada entre o SIM e o NÃO que se encontram as soluções. Porque não há um absoluto direito à Vida e nem pode haver uma irrestrita, ilimitada e absoluta tutela do poder de abortar. A solução só pode encontrada em propostas como aquelas. Onde se dá uma oportunidade à mulher, onde ela é ajudada a afastar a causa do desespero que a força a fazer aquilo que ninguém acredita ser a sua vontade. Nenhuma mulher sã quer abortar. Mas as condições da sua existência podem obrigá-la a inclinar-se a fazê-lo. Ali ela é acolhida. Ali é-lhe proporcionado apoio que lhe permita uma escolha que não a ditada pelo desespero. E o relato dos voluntários que dão vida àquelas instituições é fantástico: mesmo quando o desespero parece o único caminho, a esmagadora maioria das mulheres que os contactam acabam por ter os filhos, encontrar um sentido e uma esperança e hoje vivem com os seus filhos e acreditam que o pior já passou.
Foi aí que comecei a perceber e a formular aquela que, para mim, é a razão do meu NÃO em 11 de Fevereiro: se ninguém é a favor do aborto, se todos o reconhecem como um mal e uma experiência profundamente traumática, se todos querem combater o aborto clandestino, então que nos concentremos no problema verdadeiro. Se o problema é o aborto, se o trauma é causado pelo aborto, se muitas das causas da clandestinidade subsistem mesmo se o aborto fosse legalizado, então de que serve trocar o aborto clandestino pelo aborto asseadinho? Não se continuava a matar um filho por nascer? Não continuava o sofrimento e a dor pela perda que mulher nenhuma jamais esquece. E não continuavam bem presentes as condições terríveis que foram o motivo que a forçou ao aborto?
Ao invés, se a comunidade concentrar os seus esforços na ajuda às mulheres grávidas, no apoio que lhes permita ultrapassar a condição de sofrimento sócio-económico ou pessoal que é causa da angústia desesperante que aponta o aborto como solução. Então talvez não só diminuíssem os abortos clandestinos, como teríamos uma sociedade mais humana. E, isso, desde 1998, resultou em cerca de 80.000 mulheres que foram acompanhadas e mais de 25.000 crianças que nasceram... e tudo isto com um apoio do Estado de apenas cerca de 1/3 do custo total. Já agora, isso quer dizer, em números absolutos, que cada uma das instituições recebe cerca de €100.000/ano… bem menos do que os €10.000.000/ano anunciados como disponíveis para pagar não o custo de um terço do aborto, mas o custo total. Isto para não falar da completa ausência de apoio aos casais com dificuldades de fertilidade. Tem sido esta a orientação. Se calhar é natural que continue com o apoio ao aborto.
Não faço juízos morais sobre os propósitos de ambos os lados. Apenas constato soluções diferentes, com motivações diferentes: de um lado, há uma proposta de um SIM pela higiene como resposta ao desespero; do outro, um NÃO que proporciona dignidade e exige um apoio real que possa gerar Esperança. Até porque temos de acreditar que há sempre quem não desista e há sempre quem quer dizer NÃO!
* titamau@netcabo.pt
Professor na Universidade Lusófona
06-02-2007 10:33:09

In memoriam

O último gatinho morreu esta noite.
A mãe está com um vírus.
Espero que consigamos salvá-la.

...

Yubeng, Abril 2006

A compreensão, e a acção dela resultante e por ela orientada, é a única arma contra o bombardeamento do mundo, o único remédio, o único instrumento com que podem ser formadas, ou quase formadas, a liberdade, a saúde e a alegria no indivíduo e na espécie humana.
James Agee

"Imagens que passais pela retina dos meus olhos"

Laos, Dezembro 2003

Vox Populi

Cada tiro cada melro, cada cavadela sua minhoca.

Brotada

Zhongdien, Abril 2006

A nossa imaginação não tem, de facto, limites.
Quando uma mente está em pleno processo de processação de dados das muitas associações de ideias que se fazem quotidianamente, o resultado pode ser um prato especial: Brotada!
Para além de especial é, de certeza, original. Quem já comeu Brotada?
Quando a meio da madrugada de hoje me perguntaram se queria comer esse petisco, fiquei intrigada. Nunca tinha ouvido falar. Mas não o comerei nunca. Sim, porque Brotada são aftas de vaca fritas envoltas em queijo.
Pode eventualmente haver quem goste...
Se há quem coma túbaros, rins, miolos, tripas, provavelmente também poderá haver quem goste de aftas de vaca fritas envoltas em queijo. Pelo menos a concepção tem algum requinte! Na onda da nouvelle cuisine!
Mas a criatividade da concepção assenta em algo muito mais profundo: Aborta - imperativo do verbo Abortar; entre as duas palavras só sobra a letra d!
No fundo é isso que se está a dizer! É isso que estão a querer! Aborta à vontade, mulher!
E é cada vez maior a força com que visceralmente sinto que NÃO!
Por isso, quando me propuseram comer Brotada, acordei e não voltei a adormecer.
E fiquei a pensar...
Tenho visto as notícias e a postura dos apoiantes de cada um dos lados. E o alarmismo com que os do Sim começaram a semana... Preparem-se para os papões do Não, porque eles estão desesperados e vão fazer coisas terríveis nos próximos dias...
Dei comigo a analisar a coerência das posições.
Os do Sim são, na sua maioria, os que supostamente mais se insurgem contra a pena de morte, contra a tortura, contra o desrespeito pelos direitos humanos, contra as touradas, contra a caça (aos animais e às bruxas que fazem o aborto), os que se consideram mais iluminados (sim, porque os do Não são uns tacanhos ignorantes e chantagistas, que devem ser caricaturados, mesmo em programas pagos com o dinheiro de todos os contribuintes incluídos os que votarão Não!...), mais esclarecidos, mais inteligentes, mais p'rá frentex, mais open mind!
Os que, em contacto com outros hábitos e costumes, talvez com mais facilidade provem comidas a que não estamos habituados...
Aqui por estas bandas do Oriente teriam muito por onde se espraiar: gafanhotos, escorpiões e baratas fritas, na Tailândia; cão, gato, rato, sangue de tartaruga acabada de decapitar na mesa, miolos de macaco vivo, na China; bílis, testículos e patas de urso, no Cambodja; canja de cão feita a fogo lento, na Coreia...
Como consideram que os fetos não passam disso mesmo, dei comigo a pensar que talvez não lhes repugnasse comer os "petiscos" feitos em Taiwan com bebés abortados (que muitos de nós pudémos ver nas imagens que circularam na internet).
E pensei-o sem a ironia com que escrevi este texto, sem exageros.
Triste. Porque acredito que alguns seriam capazes de o fazer.
Quem me dera que este mundo fechasse para balanço e abrisse de novo sem abortos, sem homens e mulheres estéreis a sofrer porque não podem ter filhos, sem violações sexuais, físicas, psicológicas, sem abusos de poder, sem a prepotência destrutiva que tantos homens impõem aos seus semalhantes e à Natureza...
Seria um paraíso mas, como não sou uma mulher de fé, não acredito que ele exista.
Pena que os sonhos de Thomas More e de Tommaso Campanella não se tenham realizado... que não acabem as razões para que a "Utopia" continue a constar nos dicionários.
Todos precisávamos d' "A Cidade do Sol".
NÃO! d' "O Triunfo dos Porcos".
Já agora, a fotografia foi escolhida porque toda a gente acha que as galinhas são estúpidas; mas até elas protegem os seus pintaínhos.

Força Portugal!

Brasil, Brasil...
A festa é portuguesa!

fevereiro 06, 2007

"Imagens que passais pela retina dos meus olhos"

Dali, Março 2006

...

Zhongdien, Abril 2006


Se foste tão longe que não consegues dar mais um passo, então fizeste metade do caminho que és capaz de andar.
Provérbio da Gronelândia

Vox Populi

Tibet, Outubro 2004

Parir é dor, criar é amor.

fevereiro 05, 2007

In memoriam

Três dos gatinhos morreram hoje.
A mãe não tem leite que chegue...

Quem com ferro mata...

... Com ferro devia morrer.
Já se sabe que o homem é o maior e mais sádico predador que existe. Mata desnecessariamente e por prazer.
E como é criativo, está sempre a inventar novas formas de martírio e vítimas para as aplicar.
Em Espanha, após a época de caça (pena que os tiros não saiam todos pela culatra), são milhares os galgos abatidos; a forma como acontece é uma aberração - enfiam-lhes um pau na boca de modo a que não consigam fechá-la.
Alguns dos nuestros hermanos, "solidários" com os burros catalães que estão em vias de extinção, resolveram passar a incluir a carne de burro nos menús dos restaurantes como forma de incentivar a criação e a "preservação da espécie". A carne de burros machos foi o prato principal de um jantar realizado no Sábado passado (3/2/07) pela associação gastronómica Xicoia de Sort (em Lleida); os acompanhamentos foram batatas e verduras, além de uma degustação de salames, chouriços e outros produtos...
E continua o "rosário" de anormalidades - animais enterrados vivos na Argentina, criações de cães e gatos para casacos de peles na China, milhares de golfinhos mortos à paulada no Japão (porque é que não se ficam pelos jantares milionários de cropofagia - onde são comidas, a preço de ouro, as fezes de strippers que durante semanas foram alimentadas exclusivamente a cenouras, ou camarões, ou o raio que os parta a todos, cambada de tarados), cães escravos e vários animais afogados no Brasil.
Na Bélgica, mais de 500 ovelhas foram abatidas ilegalmente pelos muçulmanos, nas suas próprias casas, durante o ramadão.
No meio de tanta aberração, surge uma pequena luz: em França um dono que espancou a sua própria cadela até à morte foi condenado a 13 meses de prisão e nunca mais poderá ter animais... Vai ter também de pagar cerca de 2000 dólares. Yes!

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Zhongdien, Abril 2006


Se nunca sentiste a alegria de fazer uma boa acção, foste muito negligente, sobretudo para ti mesmo.
A. Neilen

"Imagens que passais pela retina dos meus olhos"

Tibet, Outubro 2004

Vox Populi

Sol na eira e chuva no nabal.

fevereiro 04, 2007

My shadow

Sam.

"Imagens que passais pela retina dos meus olhos"

Dali, Março 2006

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Aldeia Bai, Março 2006

Transportai um punhado de terra todos os dias e fareis uma montanha.

Vox Populi

A necessidade aguça o engenho.

fevereiro 03, 2007

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Tibet, Setembro 2004

Deixa o carácter ser formado pela poesia, fixado pelas leis do bom comportamento e aperfeiçoado pela música.

"Imagens que passais pela retina dos meus olhos"

Dali, Março 2006

Vox Populi

Quem não tem cão caça com gato.

fevereiro 02, 2007

Yes! F-D-S!

Lijiang, Abril 2006

"Imagens que passais pela retina dos meus olhos"

Coloane, 2003

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Macau, 2003


Um dia, depois de termos dominado os ventos, as ondas, as marés e a gravidade, aproveitaremos as energias do Amor. Então, pela segunda vez na História do Mundo, o Homem descobrirá o Fogo.
Pierre Teilhard de Chardin (1881-1955)

SOS Cagarro

Hoje, ao acordar, vi na RTPi um programa sobre o trabalho de protecção desenvolvido para salvaguardar esta espécie protegida desde 1991.
Nos Açores, nos meses de Outubro e Novembro, assim que a noite cai, grupos de voluntários partem em busca dos cagarros, aves marinhas que nidificam em covas no solo, cujas crias quando saiem dos ninhos são presas fáceis de todo o tipo de predadores, com destaque especial para as rodas dos veículos motorizados.
Isto, porque o Homem construiu estradas no meio do seu habitat natural.
Os cagarrinhos, atraídos pelas luzes de aldeias, vilas e cidades, e pelos faróis de motociclos e automóveis, deixam-se ficar no meio das estradas onde, se ninguém tiver cuidado, acabam feridos ou esborrachados.
Na noite em que a reportagem foi feita foram salvos 31 cagarros, um dos quais já estava ferido.
Mais tarde no meio da felicidade de todos os que se empenham neste projecto e das crianças que também colaboram (quanto mais não seja a abrir as caixas onde estão guardados), os cagarros, previamente identificados com anilhas, são libertados numa praia, partindo ao encontro do seu destino.
Aqui ficam algumas sugestões sobre o modo de auxiliar os cagarros, que podem aplicar-se a inúmeras outras aves:

O que fazer?
Quando circular à noite, em estradas junto à costa, conduza com precaução, e sempre que encontrar um cagarro na estrada proceda da seguinte forma:
1.Aproxime-se lentamente do Cagarro, usando luvas;
2.Com calma e segurança cubra o corpo do Cagarro com um casaco, uma manta ou uma toalha;
3.Sem o magoar, segure o Cagarro pelo pescoço e pela cauda, de forma a envolver todo o seu corpo;
4.Coloque-o numa caixa de cartão, com cuidado;
5.Mantenha-o na caixa durante a noite, em local tranquilo e escuro;
6.Liberte o Cagarro na manhã seguinte, junto ao mar, pousando-o com cuidado no chão. Não se preocupe se a ave levar algum tempo a reagir e a voar para o mar, pois ela continuará a sua viagem quando se sentir preparada.

Caso não seja possível transportar e manter o cagarro numa caixa de cartão, liberte-o nessa mesma noite, numa zona junto à costa, com reduzida iluminação artificial.
Actue apenas quando souber exactamente como proceder.
Se, por qualquer motivo, tiver dificuldades em executar o salvamento, contacte os Vigilantes da Natureza em qualquer das ilhas dos Açores.

O que não fazer?
•Não se aproxime da ave quando não sabe exactamente como proceder;
•Não segure a ave por uma asa ou por ambas as asas, nem permita que ela abra as asas enquanto a manipula, pois esta ficará cada vez mais agitada;
•Não dê água, alimentos ou medicamentos;
•Não atire a ave ao mar, pois ela não voará imediatamente quando for lançada, podendo ficar incapacitada de voar;
•Nunca force a ave a ir para o mar, ela seguirá a sua viagem quando se sentir em condições.

Vox Populi

Palavras, leva-as o vento.

Parabéns!

Zé Guilherme G.

fevereiro 01, 2007

Mãe serôdia vs. menina-mãe

A situação que comentei aqui, como a que se segue, são indesejáveis.
A primeira é, pelo menos em termos das leis da Natureza, e salva melhor opinião, mais aberrante do que a segunda.
A segunda, de acordo com as condições e os valores sociais e económicos que vigoram nas nossas sociedades, deveria ser evitada.
Acredito que, muito mais, através de uma acção profilática (educação, apoio económico e integração social, seguimento médico, maior controle familiar - que permita evitar abusos sexuais de parentes -, ...) do que através da liberalização do aborto até às dez semanas.
Caso contrário as Sandras Rijo (e a mãe, bisavó aos 42 anos) e as Tatianas vão continuar a proliferar; apenas as Anas Catarinas, com a conivência da lei (porque a Educação é Estrutura e o Aborto é Acontecimento, e a Conjuntura é a que se sabe) não chegarão a Ser.

A notícia que tirei daqui é:

Tatiana, mãe com apenas 12 anos, vive o pesadelo de não ser aceite pela sociedade por ter assumido a maternidade na infância. A mãe, Sandra Rijo, explicou ao CM que a adolescente teme mesmo regressar à escola. A família, com sérias dificuldades económicas, nunca criticou ou castigou a menor e lamenta que Tatiana seja obrigada a ouvir “coisas que ninguém gosta”.

Na sequência da gravidez precoce de Tatiana, a adolescente e a bebé, Ana Catarina, são acompanhadas pela Comissão de Protecção de Menores de Sintra Ocidental, pela Ajuda de Mãe, na Damaia, e por uma assistente social de Mira-Sintra. Sandra Rijo explicou que esta última informou a família de que perante os fracos rendimentos poderá beneficiar de uma ajuda para a renda de casa nos primeiros três meses, mas que a habitação não pode exceder a renda de 400 euros. “Por este valor tenho muita dificuldade em encontrar uma casa para a minha família de seis pessoas. Sou eu o meu marido, os meus três filhos – Soraia de 16 anos, deficiente; Tatiana 13 anos e Telmo de quatro anos – e a minha neta Ana Catarina”, precisou. “Vivemos apenas com o ordenado do meu marido, servente de pedreiro que recebe 525 euros”, explicou a mãe da adolescente, que critica ter de esperar dois anos para receber o Rendimento Social de Inserção.O núcleo familiar de seis pessoas viveu até meio do mês num apartamento no Bairro da Cavaleira (Algueirão) no concelho de Sintra. Contudo, segundo explicou Sandra Rijo, “um desentendimento com a senhoria” obrigou a família a ter de sair de casa e, numa situação provisória, a ter de viver com uma irmã em Ouressa – no mesmo concelho – numa habitação onde vivem já oito pessoas.Tatiana começou a ter relações sexuais aos onze anos. A mãe contou que a adolescente teve dois namorados. “Quando ficou grávida, a Tatiana disse ao último namorado que era o pai e que ele, então com 18 anos, teria de perfilhar a bebé e que se não o fizesse seria obrigada a requerer o teste de paternidade”, explicou Sandra Rijo.“O pai da minha neta aceitou de imediato perfilhar a criança. Ana Catarina nasceu em Agosto. Em Setembro o rapaz foi então perfilhá-la”, acrescentou Sandra Rijo, que adiantou nunca ter sido realizado o teste de paternidade.A mãe da adolescente explicou que a bebé sempre foi muito desejada pela família e que Tatiana é uma mãe muito atenta, apesar de ser muito nova. “No Hospital Amadora-Sintra, onde foi acompanhada durante a gravidez, até me disseram que foi a mãe mais nova no hospital e ouvi também que é a segunda mãe mais nova da União Europeia.”
“GRAVIDEZ NÃO É VERGONHA”
A avó da Catarina não critica nem pensa castigar a filha por ter tido uma gravidez precoce. “Avisei-a muito sobre os cuidados que deveria ter, mas ela não me ouviu”, referiu, recordando de seguida que também ela foi mãe solteira com 14 anos e também a sua mãe foi mãe aos 16 anos.“Gravidez não é vergonha”, disse Sandra Rijo, mas reconhece que para a filha “não tem sido fácil ter sido mãe tão nova”. “As pessoas fazem comentários negativos e criam-se histórias sobre ela ter tido dois namorados”, adiantou.“A menina está de tal maneira fragilizada que me disse que não quer voltar, no segundo período, à Escola António Sérgio, no Cacém, onde frequenta o 5.º ano”. Ela tem o seu grupo de amigas, mas teme não ser bem aceite pelos restantes alunos da escola, apesar do excelente acompanhamento que tem tido pela directora Elisabete Figueiredo”, referiu. “O mesmo acontece a todos nós na família. Ainda quarta-feira a minha mãe, que é cozinheira em São Domingos de Rana, telefonou-me enervada porque ouviu as pessoas a falarem baixinho sobre a neta”, disse.
É FREQUENTE HAVER MÃES MENORES
No Hospital Amadora-Sintra é considerado normal receber jovens adolescentes, de 12 ou 13 anos, grávidas. Helena Almeida, médica pediatra da unidade hospitalar, explicou ao CM que todas elas são acompanhadas pelas assistência social do Amadora-Sintra durante e após internamento. “Não é raro recebermos casos de menores grávidas”, afirmou, dando conta de que “todas as menores recebem acompanhamento da assistente social”. Mesmo quando têm alta, acrescenta a pediatra, as adolescentes continuam a ser acompanhadas pela acção social “pelo centro de saúde ou pelo próprio hospital”. Nas situações em que são detectados maus tratos, o hospital comunica ao tribunal de menores ou à comissão de protecção de menores.
MENINAS FEITAS PROTITUTAS
As dificuldade económicas e a exclusão social acabam por arrastar algumas adolescentes para caminhos sinuosos. Em Julho, duas meninas com 12 e 14 anos – uma de origem africana, outra branca – foram encontradas numa discoteca clandestina, em Rio de Mouro (Sintra), a prostituírem-se. Na altura, a mais nova confessou ao CM que tinha fugido de casa, na Amadora, porque a mãe não queria saber dela. A mais velha, que vivia em casa dos pais nos arredores do Cacém, seria alegadamente vítima de maus tratos por parte dos familiares, revelou fonte da GNR. Depois do sucedido, as duas adolescentes foram encaminhadas para a Casa da Luz, instituição particular de Lisboa que apoia menores em risco, local onde as saídas são muito controladas.
PENA DE PRISÃO ATÉ AOS DEZ ANOS
De acordo com os números 1 e 2 do artigo 172.º do Código Penal, que contempla o abuso sexual de crianças, o pai de Catarina, então com 18 anos, pode incorrer numa pena de prisão de três a dez anos. Lê-se no primeiro ponto do referido artigo que “quem praticar acto sexual de relevo com ou sem consentimento em menor de 14 anos ou o levar a praticá-lo consigo ou com outra pessoa é punido com pena de prisão de um a oito anos”. Por sua vez, no número 2, “se o agente tiver cópula, coito anal ou coito oral com menor de 14 anos é punido com pena de prisão de três a dez anos”. Esta informação foi dada pela Comissão de Protecção de Menores de Sintra à mãe de Tatiana. “A comissão disse-me era crime. Mas como o pai aceitou perfilhar a bebé e ficou demonstrado que a minha filha gostava muito dele, penso que o caso não deu origem a nenhum processo em Tribunal”, explicou Sandra Rijo ao CM.
ENFERMEIROS DEVEM INFORMAR
Guadalupe Simões, do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, estranha a actuação do Centro de Saúde de Albarraque, que recusou o pedido de Sandra Rijo, mãe de Tatiana, para a filha ser seguida na consulta de planeamento familiar. De acordo com Sandra Rijo, uma enfermeira terá respondido que Tatiana era demasiado nova para começar a tomar a pílula e para ser acompanhada.“A enfermeira disse-me que não se justificava ter consultas de planeamento familiar numa miúda de onze anos”, contou a mãe da menor ao CM, acrescentando: “Como sabia que a minha filha tinha relações sexuais, decidi, por iniciativa própria, comprar-lhe a pílula, mas ela esquecia-se às vezes.”Perante a versão de Sandra Rijo, Guadalupe Simões é de opinião que não terá sido dada a informação mais correcta à família.“A idade não é razão suficiente para não ter apoio no planeamento familiar”, explicou, afirmando que “o enfermeiro tem a responsabilidade e a preocupação de responder em função das características familiares e do meio em que estão inseridos”. “O enfermeiro deveria ter recolhido informação sobre a família e sobre a criança em causa e, então, disponibilizar os métodos contraceptivos em função do início da actividade social da criança”, sublinhou.A enfermeira acrescentou ainda que, nas visitas a escolas localizadas em bairros considerados problemáticos, faz parte dessas iniciativas abordar a questão da sexualidade nos adolescentes. “Quando um enfermeiro se desloca às escolas, dentro do Programa Saúde Escolar, faz parte das suas atribuições informar as crianças e jovens adolescentes sobre estas questões”, concluiu.
MAIS NÚMEROS
- 23 raparigas em cada mil têm uma gravidez precoce. Entre as principais causas estão os factores socioeconóminos, os abusos sexuais e a violência doméstica.
- 15,6% é a taxa de mães adolescentes em Portugal. O valor faz de Portugal o segundo país com maior taxa na União Europeia, apenas superado pelo Reino Unido.
- 5519 nascimentos registados em 2005 são fruto de mães adolescentes, segundo os dados do INE. As jovens tinham idades entre os 13 e 19 anos.
- 33% das adolescentes portuguesas já usaram a pílula do dia seguinte. E uma em cada seis tem uma vida sexual activa, sem usar qualquer contraceptivo.
- 100 milhões de mulheres em todo o Mundo, que estão em idade fértil, tomam a pílula. Em Portugal, 60 por cento das mulheres e jovens toma a pílula.
PRIMEIRA RELAÇÃO
Cerca de 22,7 por cento dos jovens entre o 8.º e 10.º anos assumem já ter iniciado a sua vida sexual
PRESERVATIVO
Os jovens tendem a usar mais o preservativo. Ainda assim, 18,9% admite não o ter usado na sua última relação
CASOS DE VIH/SIDA
Há 60 mil infectados com VIH/sida em Portugal, muitos associados a comportamentos de risco entre jovens
EDUCAÇÃO SEXUAL
Até Julho de 2007 todas as escolas do Básico e Secundário deverão ter programas de Educação Sexual
15 MIL CRIANÇAS
Existem cerca de 15 180 crianças e adolescentes a viver em instituições sociais. A maioria não é adoptada
ABANDONADOS
O Instituto da Segurança Social calcula que 2177 crianças foram abandonadas pelos pais em 2005
BERÇÁRIOS
A Segurança Social pondera criar berçários nas maternidades para abandonados. Esta medida é contestada
INSERÇÃO SOCIAL
Cerca de 268 mil pessoas beneficiam do Rendimento Social de Inserção. Um custo de 170 milhões de euros
E porque a prática do aborto é, para a Mulher, traumática em termos psicológicos como físicos (quer seja feito de forma ilegal ou legal), meus senhores (governantes do nosso país) gastem menos, não dêem tantos tachos a fetos abortados ao fim de nove meses, façam menos passeatas demagógicas com gastos milionários, arregacem as mangas e invistam o vosso tempo e o nosso dinheiro a gizar e construir condições que acabem com o drama, que sob qualquer forma, é o Aborto!

Parabéns!

Rafael G.

Em branco...


É lindo!
É prático!
É meu!

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Veneza, Setembro 2001

A esperança
tem penas
e empoleira-se na alma
a cantar a melodia
mas sem dizer as palavras,
e o canto nunca pára...
Emily Dickinson

"Imagens que passais pela retina dos meus olhos"

Zhongdien, Abril 2006

Misóginos tacanhos!

Vox populi

Quem muito fala pouco acerta.

Ainda a velhinha perdida

Fiquei a saber, mais tarde, que a velhinha entrou por engano num autocarro que ía de Macau até Coloane. Depois de a ter deixado com os polícias foi levada ao médico e devolvida à família.

janeiro 31, 2007

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Luang Prabang, Dezembro 2003

Todas as coisas possuem beleza mas nem todos a vêm.

"Imagens que passais pela retina dos meus olhos"

Luang Prabang, Dezembro 2003

Catatónica

Foi como andei hoje todo o dia.
Com parte da matilha a fazer os exercícios matinais em cima de mim, acabei por me levantar como se tivesse um ninho de gatos nos pulmões e a espirrar que nem um dragão a deitar fumo.
Tive de recorrer ao Ketotifeno e o resultado foi ter uma enorme vontade de me deitar no chão a partir das 11 da manhã.
Que seca!
E infelizmente só espevitei à força quando me disseram que o Pokky, um cachorro que trouxe para casa a semana passada para se recuperar de uma pneumonia, para além de estar pior se calhar tem um cancro nos pulmões. Como é que um cão que tem 3 a 4 meses pode ter um cancro nos pulmões?

janeiro 30, 2007

Cinco vidas


São afinal as que salvei na ponte.
A Fafá teve quatro gatinhos na 6a. feira.
Talvez por isso a tenham deitado borda fora.

"Imagens que passais pela retina dos meus olhos"

Shaxi, Abril 2006

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Macau, Junho 2006


A felicidade consiste em dá-la.
Christopher Hoare

janeiro 29, 2007

Livro de estilo (V)

Hoje, no noticiário local, ficámos a saber que a manifestação do Não!, que teve início na Maternidade Alfredo da Costa, terminou na Alameda Infante D. Henriques.

janeiro 28, 2007

Milagre das Aparições na Estrada da Aldeia

Acabei de chegar da rua, depois de ter vestido a pele de caça-fantasmas (em pijama, de pantufas e casaco comprido), caso contrário a minha empregada teria passado toda a noite encolhida em cima da cama a mandar SMS's alarmantes a todas a suas conhecidas.
Quando chegou a casa disse-me com ar assustado:
- Ma'am, I saw the lady with long wihte hair...
- Which lady? Where?
- There, near the bus stop, in the down...
- Maybe she is just walking.
- No, she is there in the middle op the trees (e faz o gesto de alguém a pairar).
- Probably is a statue.
- No. Is the pirst time; I'm nérbous... Eberytime I returned prom church on Wednesdays, I néber saw her...
Fiquei a pensar cá com os meus botões que talvez se tratasse de uma chinesa excêntrica!
Passado cerca de 1 hora tive de ir perguntar-lhe algo... A rapariga estava encolhida em cima da cama, às escuras, a mandar mensagens...
Só me disse:
- Ma'am... the lady...
Para evitar que a criatura passasse noite aterrorizada, obriguei-a a meter-se no carro e lá fomos em busca do que poderia ser o " Milagre das Aparições na Estrada da Aldeia".
Quando parámos no local certo não queria sair do carro. Tive de insistir. Pusémo-nos a olhar para os arbustos na direcção da piscina de Cheok Van e lá estava ela, a lady de cabelos brancos compridos; quando me ouviu desatar às gargalhadas percebeu - é uma imagem de uma virgem não sei de quê...
- Oooh Ma'am, thank you ma'am!
No entretanto tinha alertado uma outra empregada que estava de regresso aqui à rua.
Essa, ficou tão acagaçada que obrigou os patrões a irem buscá-la de carro! Recusou-se a fazer o caminho sozinha!
Não há dúvida de que o meu fim de dia foi emocionante; antes, sem que desse por isso, 9 dos cães aqui de casa apanharam o portão aberto e foram em animada correria para a rua - lá andei feita caça-cães, também em pijama e pantufas. Sim, porque não dava para perder tempo a vestir-me quando quase toda a matilha andava à solta. E como vivo na Estrada da Aldeia...
Pelos vistos não foi a lady with long white hair que lhes abriu o portão... fui mesmo eu que o deixei mal fechado!

janeiro 26, 2007

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Capadócia, Agosto 2001


Podes ultrapassar toda a negatividade se perceberes que todo o poder que ela tem sobre ti consiste em acreditares nela.
Mal sintas dentro de ti esta verdade ficas livre.
Eileen Caddy

"Imagens que passais pela retina dos meus olhos"

Luang Prabang, Dezembro 2002

janeiro 25, 2007

Parabéns!

Mizé, Miguel G.

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Dali, Março 2006
Não são as ervas daninhas que matam a boa semente mas sim a negligência do camponês.

Taxistas cuspideiros

De acordo com o "China Daily" de ontem, para evitar a praga dos taxistas cuspideiros (fortes concorrentes das cobras com as mesmas características), as autoridades municipais de Xangai, grande metrópole económica da China que em 2010 albergará a exposição mundial, em consonância com uma campanha de higiene e civísmo a decorrer na cidade, decidiram instalar gratuitamente escarradores em 45 mil táxis que pretendem contribuir para uma diminuição de habitantes cuspideiros, que insistem em usar como cinzeiros os escarradores colocados junto aos caixotes de lixo públicos.
Este panorama é característico de toda a China.
A tendência para a cuspidela fácil estende-se, aliás, a todo o oriente; basta pensar nos milhões que mascam betel e substâncias similares que lhes tingem dentes e lábios numa gama de cores que pode ir do vermelho sangue ao mais profundo negro, manchas estas que vão ficando espalhadas no chão dos locais onde se encontram, por exemplo no Nepal, na Indonésia, na Birmânia, no Cambodja, etc.
Uma das coisas que me surpreendeu a primeira vez que cheguei a Macau, em Dezembro de 1986, foram os avisos de multa contra as cuspidelas que nos aguardavam logo à saída do terminal de jet-foil...
É... as mudanças de mentalidade e de hábitos são estruturais.
É por essas e por outras que o Governo de Singapura não deixa de ter razão nalgumas das medidas restrictivas e civilizadoras que toma.

Livro de estilo (IV)

Ontem, no Jornal da Tarde da RTP, a propósito da investigação de 2 casos de corrupção ocorridos na época 2003-2004, e ligados ao caso "Apito Dourado", alguém fez votos de que "os processos sejam concluídos de forma célebre"!
Estou certa de que tanta trafulhice e lavagem de roupa suja vai ficar para a história...

janeiro 24, 2007

Mary



Está comigo há um ano!

Livro de estilo (III)

Avisos e informações paroquiais:

"Temos na paróquia uma área especial para crianças, para todos os que tenham filhos e não o saibam."

"As reuniões de recuperação de autoconfiança são quarta, às oito. Por favor, entrem pela porta traseira."

" Sexta, os meninos do Oratório farão uma representação de Hamlet. Toda a comunidade está convidada a tomar parte nesta tragédia. "

"Prezadas senhoras, não esqueçam a próxima venda para beneficiência. É uma boa oportunidade para se livrarem das coisas inúteis que têm. Tragam os vossos maridos!"

"Tema da catequese de hoje - Jesus caminha sobre as águas. Tema de amanhã - Em busca de Jesus."

"O coro da terceira idade será suspenso durante o Verão, com o agradecimento de toda a paróquia."

" Novembro finalizará com uma missa cantada por todos os nossos defuntos."

" O torneio de basquete das paróquias continua! Venham aplaudir-nos. Vamos tentar derrotar o Cristo-Rei!"

"Na quinta, às cinco, haverá reunião do grupo de mães. As senhoras que queiram formar parte do grupo de mães, é favor dirigirem-se ao escritório do pároco."

"Informam-se os interessados que o preço do curso sobre - Oração e Jejum - inclui as refeições."

"É favor colocar as esmolas no envelope, junto com os defuntos que querem que lembremos na missa."

"Quinta, começaremos a catequese para meninos e meninas de ambos os sexos."

janeiro 23, 2007

"Imagens que passais pela retina dos meus olhos"

Deqin, Abril 2006

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Yubeng, Abril 2006


O êxito parece muito ser uma questão de aguentar depois dos outros terem desistido.
William Feather

Parabéns!

Ana S., Zé P.

janeiro 22, 2007

E depois dizem que as azelhas somos nós!

Um estudo realizado nos EUA - Universidade Carnagie Mellon - comprovou que a condução masculina é 78% mais perigosa que a feminina.
As estatísticas há muito que comprovam este facto, mas o machismo das ideias persiste.
No total de acidentes mortais registados nos EUA entre 1999 e 2004, em 116.493 casos o condutor morto era um homem e só em 40.381 era uma mulher. Mais... desde 1998 existe paridade no número de cartas de condução; segundo as seguradoras, em 2004 foram 73000 os acidentes mortais; destes, em 46.200 o condutor era um homem.
Quanto aos acidentes ligeiros 11.2 milhões foram provocados por homens contra 8 milhões da responsabilidade de mulheres.
O Verão é mais perigoso do que o Inverno e um jovem de 18 anos corre pouco menos riscos como uma mulher de 80! À meia-noite os homens correm três vezes mais riscos de terem um acidente do que as mulheres...
Palavras para quê? Os números falam por si!
Gostaria de saber quais as estatísticas em Portugal, onde o faloforismo impera em toda e qualquer estrada.

Parabéns!

Zé PT

janeiro 21, 2007

"Imagens que passais pela retina dos meus olhos"

Macau, Julho 2004

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Zhongdian, Abril 2006

Escolhe um trabalho que ames e não terás que trabalhar o resto da tua vida.

Livro de estilo (II)

Hoje, na missa realizada na Sé de Macau, e transmitida pela televisão, foi lida a "2a. Espístola de S. Paulo aos Discípulos".

janeiro 20, 2007

"Imagens que passais pela retina dos meus olhos"

Macau, Abril 2006

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Lijiang, Abril 2006

Amar é arriscar-se a não ser retribuído no amor.
Ter esperança é arriscar-se à desilusão.
Mas deve correr-se riscos, porque o maior risco da vida é nada arriscar.
A pessoa que nada arrisca nada faz, nada vê, nada tem e nada é.
É incapaz de saber, de sentir, de mudar, de crescer, de amar e de viver.

Exausta, mas feliz!


Foi como cheguei a casa depois de uma tarde inteira a participar no "Carnaval dos Cães 2007".
O IACM organizou e convidou a Anima e a AAPAM para participarem.
Levámos cerca de 40 cães; 13 foram adoptados e 2 estão reservados. E eu que tinha receio de sonhar com 4 ou 5 adopções...
Foi uma festa! Todos os voluntários se divertiram e gozaram cada momento com os nossos "canitos", e muitas foram as pessoas que incrédulas olhavam para tantos cães ABANDONADOS!
É isso que me faz feliz, ver a admiração com que os olham, pelo seu bom aspecto, pela sua meiguice.
Foi bom sonhar a Anima. Melhor foi torná-la realidade.
Obrigada a todos os que ajudaram a que a nossa tarde fosse tão especial - Isabel, Inês, Marina, Margarida, Melanie, Paula, Sara, Maria, Zélia, Zé, Rita, Nini, Tatiana, Igor, Nádia, Tomás, Artur, Bruno, Kikas, Sandra, Terence, Gina, Julie, Isa, Daniel, Rafael, Nuno, Tati, Jójó, Vilma, Paulinha e a todos os anónimos que passavam e ficaram a ajudar-nos.
E também à TDM - TV e ao Jornal Tribuna pelas entrevistas (só o muito amor à causa me fez falar tão descontraidamente...) e pelo apoio que desde a primeira hora nos deram, permitindo-nos dar esperança e felicidade a pessoas e animais.

Parabéns!

Daniel M., Marta S.

janeiro 19, 2007

"Imagens que passais pela retina dos meus olhos"

Macau, Maio 2006

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Tibet, Setembro 2004

Até que o Sol brilhe, acendamos uma vela na escuridão.

Parabéns!

Natália S.